Primeira cirurgia de implante coclear do Maranhão é realizada em São Luís


05/03/2018


Por Thaiane Firmino

Resultados são considerados satisfatórios e adaptação é percebida por familiares.

Amparada por complexa tecnologia, a primeira cirurgia de implante coclear do estado do Maranhão foi realizada no mês de julho, no Hospital São Domingos. O procedimento, que beneficia pacientes com severa e profunda perda auditiva em ambos os ouvidos, teve duração de três horas. A intervenção contou com equipe multidisciplinar formada por médicos, fonoaudiólogos, enfermeiros e psicólogos, e o paciente respondeu positivamente a interferência cirúrgica.

Utilizado há mais de 30 anos, o implante coclear promove a reabilitação em quem não é favorecido com o uso de aparelhos auditivos convencionais. A cirurgia é feita para estimular diretamente o nervo auditivo e possibilitar a percepção dos sons. O dispositivo implantado fica localizado na parte interna e atrás da orelha, e o aparelho é ligado por meio de um sistema de computação que passa dados e corrente elétrica para o implante, o que gera a necessidade de programação individualizada.

Cirurgia foi realizada com sucesso e a equipe comemorouCirurgia foi realizada com sucesso e a equipe comemorou

Antes de ser submetido à cirurgia, Renato Araújo Pestana, que completou um ano há poucos meses, participou de avaliação com a fonoaudióloga e especialista em Audiologia, Érica Caldas. A profissional realizou minuciosa análise auditiva, através de testes e exames. “Confirmamos o diagnóstico de surdez profunda nos dois ouvidos e iniciamos a preparação para a cirurgia”, contou. Durante o procedimento cirúrgico Caldas desenvolveu testes de telemetria de impedância – para avaliar a integridade e funcionalidade do implante coclear antes que a intervenção fosse fechada. “A cirurgia foi o primeiro passo. Os mapeamentos serão realizados com frequência para acompanharmos o estado do paciente, que deverá realizar terapia auditiva por toda a vida, além de ser estimulado pela família e na escola”, explicou.

Após 40 dias da realização da cirurgia o implante foi ativado e, apesar de ter chorado no momento da ativação, nos dias seguintes o bebê apresentou adaptação. “Podemos dizer que ele tinha um nervo que estava adormecido e de repente recebeu um estímulo totalmente desconhecido. É natural que aconteça o choro. Precisamos agora dar tempo para que ele corresponda às nossas expectativas. Podemos dizer que Renato está iniciando no mundo sonoro e tem muito para experienciar”, destacou a fonoaudióloga.

Paciente respondeu satisfatoriamente ao procedimento e família aprovou o resultadoPaciente respondeu satisfatoriamente ao procedimento e família aprovou o resultado

Para a médica otorrinolaringologista, Aline Bittencourt, a realização desse tipo de cirurgia é um marco para o estado. Segundo ela, pacientes implantados anteriormente não dispunham de equipe preparada e, por isso, realizavam o procedimento fora do Maranhão. Ainda de acordo com a médica, o implante pioneiro foi realizado conforme planejado. “A cirurgia foi tranquila. A anatomia do paciente não apresentava variações, o que permitiu que o feixe de eletrodos (circuito elétrico) fosse inserido completamente. Renato teve alta hospitalar com menos de 24 horas. Removemos o curativo com 72 horas da cirurgia e os pontos com dez dias. Por ter realizado a cirurgia em ambas as orelhas esperamos que ele desenvolva a fala e habilidades auditivas como qualquer outra criança da sua idade”, disse.

Segundo Naura Coelho de Araújo, mãe do paciente, apesar do desgaste que envolve a parte burocrática do processo, há confiança de que o implante coclear corresponda às expectativas da família. “Fazer e receber exames foi algo bem estressante. Então, estar percebendo a evolução do meu filho após a cirurgia, é muito bom. Outro dia ele até dançou quando escutou uma música”, contou entusiasmada.